sábado, 16 de abril de 2022

A Páscoa e o Perdão

Sábado de aleluia e a malhação do Judas



Quando assumimos o compromisso do sacrifício do jejum na sexta feira santa, ao abster-nos do consumo da carne, deveríamos estar intimamente tentando refletir sobre o real significado da abstenção dos conceitos do ódio, da soberba, do egoísmo e principalmente do perdão, do ato de sermos capaz de perdoar a quem tiver nós ofendido. A oração do pai nosso oferecida como sendo a principal oração que Jesus ensinou, é clara quando pede ao criador para perdoar em nós o tanto que perdoarmos no outro. Neste caso parece que damos um tiro no próprio pé, todas as vezes que oramos o Pai Nosso. Ao recitar a oração assinamos um compromisso para com nosso esforço e melhoramento intima.  O Interessante é que no dia seguinte ao sábado de aleluia, entramos em contradição com nossos sentimentos de moralidade quando em festa decidimos malhar o Judas! Neste caso, malhar o Judas quer dizer que sem pudor passamos a malhar as pessoas por serem ou pensarem diferentes de nós. Ao analisar com verdade tais sentimentos, percebemos que traímos as convicções cristãs o tempo todo. Somos nós mesmos que nos intitulamos cristãos sem realizar auto-exame de consciência, e no fundo não passamos de pseudo e falsos profetas. Na história bíblica  quando Pilatos lava as mãos e devolve a responsabilidade do pecado ao povo, o povo perdoa ao ladrão e condena a Jesus, homem que não cometeu injurias ou imoralidades, mas pensava diferente da maioria do povo, e defendia-os das injustiças perante os sacerdotes e lideres romanos da época.  Um ato contraditório difícil de compreender, ainda nos dias atuais por quais motivos ainda não aprendemos a dar misericórdia ao próximo se é o que mais desejamos ao cometer um erro.

Com essa significação entendemos e reprovamos, mesmo que teoricamente a injustiça da condenação de Jesus por conhecer seus feitos que beneficiava o povo, curando-lhes do mal da carne, e libertando-os do mal espiritual que perturbava a consciência.   Mesmo ele sendo líder espiritual, preferir a paz em vez da guerra, junto aos opressores da época não obteve a misericórdia desejada.  Em tempos atuais conhecemos todas as convicções de Jesus em defesa dos oprimidos e pecadores,  mesmo assim parece que nada temos aprendido quanto a exercitar a sabedoria de refletir, compreender e sentir antes de agir, já que cada um tem um tempo para sua expansão e aprendizado. Em tempos remotos o povo condenou Cristo e crucificou-o para morte do corpo físico e assim ainda somos nós continuamos julgando e condenando ao diferente e ao que precisa de perdão para refazer-se por si só do seu  erro.

Se considerarmos as leis da caridade e do amor, que Cristo tanto pregou, pode-se concluir que aquele que mais precisa de outra chance é justamente o que consideramos pecador por pensar ou agir diferente da maioria. Nosso ego não pode ser maior que o ego do outro por entendermos de que é reconstruindo o mal feito é que chegaremos a perfeição.

 A lição explícita do domingo de Páscoa deveria nunca ser esquecida, mas ser evidenciada e vivificada diariamente por nós.  Ressurgir ou ressuscitar no terceiro dia, quer dizer que somos eternos e as consequências de nossos atos sempre retornam a nós mesmos. O certo do outro nem sempre será o certo para mim e vice versa. E assim o Pai Nosso se amplia quando ao perdoar no outro é exatamente o que mereço receber de perdão!

O verdadeiro Cristão perdoa! Talvez seja o  sentimento mais difícil de ser praticado, porem é libertador. Ao deixar de carregar os sentimentos de ódio, vingança e rancor que não são do outro, mas machucam e adoecem em quem os carrega passamos a se conectar com os ensinos de Jesus.